Desde que a Global Business Culture começou a ministrar cursos de treinamento de conscientização cultural para grandes corporações globais, há cerca de vinte anos, temos testemunhado uma proliferação de pessoas entrando no mercado para oferecer produtos semelhantes.
Isso é ótimo, pois significa que os clientes têm mais opções em termos de provedores de treinamento com os quais podem trabalhar, mas, ao mesmo tempo, apresenta aos clientes o eterno problema que acompanha a escolha: quem escolher?
Achei que poderia ser útil descrever o que vinte anos de experiência no setor me disseram a respeito de como deve ser um bom curso de treinamento de conscientização cultural:
- Intensamente prático: Na verdade, não é muito útil simplesmente reciclar as conhecidas teorias culturais de Trompenaars ou Hofstede. Sem entrar em detalhes sobre por que essas teorias podem, de fato, ser falhas, descobrimos que o que realmente repercute em nossos clientes no mundo dos negócios é a aplicação prática de questões relacionadas a diferenças culturais em situações de trabalho do dia a dia. Analisar a “distância de poder” não tem valor prático, mas analisar como a “distância de poder” afeta o fluxo de informações e a tomada de decisões em uma estrutura hierárquica é de benefício prático imediato.
- Relevante para o setor: O instrutor do treinamento precisa ter algum entendimento da aplicação prática das questões culturais no setor em que o cliente atua. Embora o instrutor não precise ser um especialista absoluto em seguros ou finanças imobiliárias (por exemplo), ele precisa entender o que são esses setores e onde podem estar os desafios culturais.
- Não se trata apenas deles: Qualquer bom curso de treinamento de conscientização cultural precisa fazer com que as pessoas analisem seu próprio comportamento, bem como as normas de comportamento em um país-alvo. Os delegados precisam sair do curso de treinamento com a percepção de que eles próprios também são parte do problema e com a consciência de que talvez precisem modificar seus próprios comportamentos.
- Da conscientização ao conhecimento: Embora o tópico seja frequentemente chamado de “conscientização cultural”, um bom programa deve passar da conscientização para o conhecimento. As pessoas precisam estar cientes das diferenças culturais e do profundo impacto que elas podem ter sobre as atividades internacionais, mas também precisam ter conhecimento das normas de comportamento em um país-alvo. O instrutor precisa ser capaz de se concentrar em fornecer as áreas de conhecimento mais importantes para o cliente naquele país.
- Além do superficial:Muitos cursos se concentram nas diferenças culturais superficiais de outro país. Se o programa for sobre o Japão, o curso se concentrará na etiqueta de entrega de cartões de visita, por exemplo. Você nunca perderá um negócio no Japão se, inadvertidamente, oferecer seu cartão da maneira errada. Sinto muito, mas você não perderá! No entanto, você pode perder o negócio se não entender as atitudes japonesas em relação ao risco e como lidar com essa questão muito mais profunda.
Obviamente, não se trata de uma lista exaustiva, mas, ao analisar os pontos principais, chego a uma conclusão: o instrutor do treinamento precisa ter um conhecimento real e profundo não apenas das questões culturais, mas também de uma vasta experiência comercial. Não é possível falar sobre esse assunto a menos que você já tenha passado por isso. Você precisa ter feito o que foi dito.
Então, o que faz um bom instrutor de conscientização cultural?
Quando as organizações estão pensando em oferecer treinamento de conscientização cultural aos seus funcionários, há dois elementos fundamentais que precisam ser abordados:
- A estrutura e o conteúdo do programa de treinamento de conscientização cultural
- As capacidades do instrutor
Em minha experiência, os excelentes instrutores de conscientização cultural compartilham as quatro características a seguir:
- Experiência de viver e trabalhar em vários países: A menos que você tenha vivido e trabalhado em diferentes países por um número considerável de anos, é difícil falar com autoridade sobre o impacto das diferenças culturais nas atividades comerciais internacionais. O instrutor precisa ter vivido essa experiência, caso contrário, o programa de treinamento de conscientização cultural carecerá de autenticidade.
- Responsabilidades comerciais significativas: Trabalho com líderes seniores de grandes corporações e, portanto, preciso demonstrar que tenho um alto nível de perspicácia comercial. Qualquer bom curso de treinamento de conscientização cultural deve se concentrar na interseção entre a diferença cultural e o sucesso comercial. Se o instrutor não entender de negócios, não será capaz de demonstrar onde estão essas interseções. Esse tipo de treinamento pode ser vagamente interessante, mas não agregará valor comercial ao cliente.
- Experiência em liderança: Qualquer bom instrutor de conscientização cultural precisa ter experiência pessoal na liderança de funcionários de outras culturas. Ele precisa ter sido obrigado a flexibilizar seu estilo de liderança para obter o melhor dos colegas que pensam e agem de forma diferente da sua. O ideal é que ele tenha liderado pessoas no país e em um ambiente virtual global.
- Ótimas habilidades de apresentação: Mesmo que uma pessoa tenha todos os atributos descritos acima, ela ainda precisa ter a capacidade de envolver e entusiasmar uma sala de delegados (às vezes) cínicos. Contar histórias é fundamental para isso. A mera regurgitação de velhas teorias culturais não dará energia aos participantes e não os ajudará a ver a aplicação prática do conhecimento recém-aprendido às questões comerciais cotidianas.
Se você conseguir encontrar todos esses atributos no instrutor que escolheu para ministrar seus programas de conscientização cultural, provavelmente está no caminho certo. Se qualquer um dos atributos acima estiver faltando, o treinamento provavelmente terá um impacto muito menor.










